quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sobre o que virá



Eu vivi MUITO em 2008. Passei por todos os caminhos que quis, caí, levantei, dan-cei em cima de cada problema fazendo dele meu degrau pra ser mais feliz ainda. E sou! Mas em 2009 eu quero mais. Muito mais! Viajar mais, rir mais, ver mais os meus amigos, passar menos apuros na faculdade, ficar mais bonita ainda... Quero paz em meio ao caos!

Em 2008, ganhei amigos & amigos & amigos & amigos... Quando eu mais precisava deles! Cada ação teve seu desencadeamento perfeito mesmo que no início parecesse um problema. Se eu não conhecesse um, não conhecia os outros... Se eu não me aproximasse de um outro, não me aproximaria dos outros quando esse um outro fosse embora... Perfeito! Cada uma dessas pessoas me doou algo bom de si e me fez aprender um pouco mais sobre a vida, obrigada a tios, fadas, palhaços, bixcoitos, friends... Família!

Hoje não consigo ser poética, é só mais um agradecimento dentre os tantos que eu fiz a cada um de vocês durante o ano e vou continuar fazendo no que se segue.

Que venha 2009... Let the seasons begin!!!!!!!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sobre a felicidade dos tempos atuais



Eu pensei, pensei mesmo, em já fazer um saldo do ano aqui. Mas ainda é muito cedo, não é? Um mês de 2008 ainda pela frente e, acredite, uma vida é transformada em um mês. Melhor esperar. Mas enquanto isso acho que caem muito bem certas divagações do momento... Li uma frase de alguém no orkut hoje que me fez rir muito. Até aí tudo bem, mas a coisa é que nem era uma frase que devia me fazer rir... Mas fez. Rir de chorar. Só a simples menção me faz rir aqui de novo! Vai entender esse povo quente e letrista... Mas sigamos rumo a felicidade de maneira mais interessante e que não me faça parecer maluca:


A felicidade veio.
De-va-gar.
Quase como aquela sensação de frio na barriga antes de se fazer algo perigoso.
Devia abraçá-la?
Não, ela não vinha em forma humana, mas como uma brisa leve de fim de tarde na beira do mar que envolve e encanta o mais cansado dos corpos. Penetrou todos os poros, exalou um leve cheirinho gostoso de lavanda e ficou. Virou parte da alma, com o tempo sentiu-se tão parte dela que ousou fazê-lo vibrar com as mais pequenas coisas. Desde uma aprovação com a olhada no espelho até as mais belas horas com as mais bonitas companhias.

Quando já se sentia "em casa" dentro dela, a felicidade resolveu que solucionaria todos os seus problemas tolos de jovem preocupada com a vida.

Desatou nós e criou laços.

A diferença entre ambos é que nós são símbolo de opressão e laços a representação dos mais singelos e quistos sentimentos. Fez dela completa.

Em alguns momentos sentiu certa hesitação do seu corpo-habitat em mantê-la mas não se fez de rogada: agarrou-se às paredes de seu lar com tanta força que fundiu-se e tornou-se definitivamente dela. Fê-la rir de todas as suas mágoas, de todas as suas raivas, de todas as suas tolices. Colocou-a em contato com o âmago do seu ser para que ela percebesse que ninguém jamais poderia tê-la, a felicidade, como ela tinha.

Eram almas-gêmeas,
uma só,
pra sempre.

sábado, 23 de agosto de 2008

O poema preferido




Si el sueño fuera (como dicen)
una tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente,
sientes que te han robado una fortuna?

¿Por qué es tan triste madrugar? La hora
nos despoja de un don inconcebible,
tan íntimo que sólo es traducible
en un sopor que la vigilia dora

de sueños, que bien pueden ser reflejos
truncos de los tesoros de la sombra,
de un orbe intemporal que no se nombra

y que el día deforma en sus espejos.
¿Quién serás esta noche en el oscuro
sueño, del otro lado de su muro?

[El sueño , Jorge Luis Borges]



Este é o meu poema preferido faz muito tempo. Ele já esteve presente milhares de vezes no meu profile do orkut, nos meus blogs, nos meus nicks de msn... Na minha mente, no meu coração. Esse fato faz com que ele mereça um post, não é? Pois bem, aqui está.

Agora vem a pergunta de 1 milhão de dólares: porque ele?

Bueno, talvez a pergunta que o Borges faz me intrigue demais. ¿Quién serás esta noche en el oscuro sueño, del otro lado de su muro? Todas as noites, nos meus sombrios sonhos há uma transformação. Algo silencioso, velado, que faz com que na manhã seguinte eu acorde outra pessoa. Todo dia uma diferente. Não, eu não tenho múltipla personalidade, é apenas uma questão de... crescimento pessoal? Adaptação ao meio? Sobrevivência? Eu fico com todas as alternativas anteriores e ainda acrescento o fato de que ser a mesma pessoa pra sempre é chato demais, insuportável demais. Densidade me atrai. Não aquela triste, amarga, que te puxa pra um buraco... Aquela intensa e ao mesmo tempo leve, que faz com que tudo que se viva seja feito com paixão, visceralmente. "Põe quanto és no mínimo que fazes" (Ah, Fernando Pessoa!). E para isso tudo eu tenho que sempre cultivar a minha capacidade de sonhar... Sonhar com o que eu quero pra mim, com todas as coisas maravilhosas que eu tenho, com as que eu quero que as pessoas que eu amo tenham. Passar a noite num universo alternativo, deitada em um campo de lavanda pensando no que eu quero pra mim quando acordar, na pessoa que eu quero ser.

E é isso que importa.

"E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há"

[Marisa Monte]

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SUGESTÕES PARA ATRAVESSAR AGOSTO



(Caio Fernando Abreu)

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro- e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante:ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus,
fica a suspeita de sinistros angúrios , premonições.Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem:qualquer problema , real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos- ou precauções-úteis a todos. O mais difícil:evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade...Esquecê-lo tão
completamente quanto possível(santo ZAP!):FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o
seu dentista. emoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros,
juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire , a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas- coisas assim são eficientíssimas, pouco me
importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente nãose deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.

(crônica escrita em AGOSTO de 1995, O ESTADO DE SÃO PAULO)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Trupe



Caminhava na estrada. Sozinha. Os pés descalços e já bem calejados, as roupas sujas... O que mais dava pena era o semblante: um misto de cansaço com tristeza gravado naquela face de menina. Fazia sinal para que os poucos carros que apareciam (quem gostava de passar naquela estrada de terra quando a modernidade trouxe novos caminhos asfaltados?) mas nenhum deles se compadecia justamente pela cara suja dela.


O sol estava no seu ápice, ela não aguentou mais. Sentou-se em uma pedra enorme no acostamento e pôs-se a contar os carros que passavam para ocupar a mente. Em meio a toda a dificuldade ela conseguiu encontrar diversão, pois quando cansou de contar apenas os carros decidiu inventar histórias para cada um deles. Eram poucos e passavam espaçadamente, teria tempo de criar muitos detalhes.

Um deles, um carro grande, ela concluiu que por trás do vidro fumê existia uma família igualmente grande. Pais, trigêmeos meninos e uma confusão pela impaciência das crianças com o tempo da viagem. Riu sozinha pensando no momento da chegada ao destino - que em sua imaginação seria a casa da avó - e a corrida dos meninos pela grama até os braços de uma doce velhinha de cabelos brancos que os esperaria com abraços e muitas histórias para contar. Ela gostaria muito de abraços, de quem que fosse... Pensar nisso a deixou triste novamente e ela decidiu parar de pensar nessas coisas. Voltou a olhar para os próprios pés.

Seu transe foi interrompido pelo som de risadas ao longe... Estaria ficando louca? Olhou para a estrada e sentiu o coração bater mais forte. Chegava uma caminhonete aberta atrás, pintada com tantas cores que parecia o próprio arco-íris, mas o mais impressionante eram os seus ocupantes. Palhaços, muitos e de todos os jeitos, fadas, bonecas de pano, todos vivos e cantando sem parar. Os olhos da menina brilhavam com tantas cores e movimento surgidos do nada e ela desejou que aquele carro, justamente aquele, parasse para ela.

Levantou rápido para correr e tentar a sorte mas com a excitação levou um tombo e caiu no chão. Quando já preparava-se para levantar e não desistir (ela correria atrás daquele carro por todo o caminho se fosse necessário!) viu que uma mão delicada a ajudava a levantar-se. Eles haviam parado sem que ela pedisse e estavam todos ao seu redor! Olhou para o rosto da fada que a ajudara e não conseguiu conter o impulso de dar-lhe um abraço. O primeiro depois de muito tempo sem carinho. Ela retribuiu com tanto amor que este ato já deixaria a menina feliz por dias, mas foi ainda melhor: todos a abraçaram ao mesmo tempo, e ela chorou de felicidade em meio a todas aquelas criaturas mágicas que emanavam tanto amor. Quando a soltaram, a menina ficou impressionada pois viu que ela mesma havia se transformado em uma boneca, nunca havia se visto tão linda! Agora ela sabia o porquê do desespero em segui-los, ela fazia parte daquela Trupe.

Um minuto depois estava na caçamba da caminhonete junto com todos os outros, rindo como nem lembrava que sabia fazer. Um palhaço a chamou para sentar-se junto com ele e lhe deu as boas vindas. O carro começou a se mover e ela deu adeus para aquela estrada antes de pegar a mão do palhaço e sentir que todos sumiram no horizonte para algum lugar que ela estava louca para conhecer.

sábado, 28 de junho de 2008

Pequenas Epifanias


Olhou o pôr-do-sol e um sorriso escapou de seus lábios. Aquele final de tarde tranqüilo era algo que não tinha há muito tempo. A vida atribulada, aqueles milhares de compromissos sobrepondo-se uns aos outros faziam com que ela esquecesse das pequenas felicidades da vida... Sentou-se em um banquinho na praça sem tirar os olhos do céu alaranjado, a voz baixa falando somente para o seu eu interior:

- "Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,

que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Suspirou. Nem sabia porque tinha lembrado deste poema, mas ele era uma lição de vida. Para qualquer vida. As pequenas felicidades são as principais responsáveis por momentos como este, um pôr-do-sol belo em meio à correria de uma grande cidade. Esta "lupa emocional" - e o pensamento desta expressão nova lhe fez rir das suas próprias metáforas - é essencial, concluiu. Que venham as pequenas felicidades, os finais de dia alaranjados, banhos de chuva, chocolates em momentos de stress, risadas, sonos, beijos, livros, músicas... Todas elas fazendo com que a felicidade completa exista na vida.

O tempo passou, a idéia na sua cabeça rodando, fincando raízes... Naquele momento sentiu-se descobrindo o segredo da vida, da sua vida. Aos poucos o sol foi desaparecendo do céu, a escuridão tomando a praça... Levantou, sorriu para a lua que acabara de chegar e continuou seu caminho. Sua conversa com a noite seria outro dia, hoje ela era somente sol.

sábado, 24 de maio de 2008

A Pedra Mais Alta


Sentou-se ao seu lado, as pernas balançando no grande vazio debaixo daquele penhasco. Não olhou para o lado, somente para a o azul e o verde do céu e das copas das árvores lá embaixo.

- Sabe... - Voltou o rosto e de repente ficou muda ao encontrar o outro par de olhos, sempre era assim. Tragou o ar e continuou - Eu pensei muito em como nós viemos parar aqui. O trajeto foi... Revelador. Mas chegar aqui e olhar esse vazio me dá uma aflição louca, como se tudo que a gente faz sempre acaba em um grande nada. Você me entende?

Inclinou-se para trás, apoiando os cotovelos na pedra e desviando daquele olhar, com medo da resposta ser alguma exclamação de incompreensão ou que ele achasse graça de algo que veio de tão fundo dela, naquele momento, e que claramente tinha milhões de significações. Sentiu sua bochecha queimando, ele a estava olhando e assim permaneceu por um bom tempo. Ela olhou para o céu e deixou-se queimar pelo sol também, até que sentiu que o par de olhos e o corpo que o carregava se levantou.

- Pula.

Ela arregalou os olhos e procurou o rosto dele, não estava com uma expressão de brincadeira. Automaticamente levantou-se também e olhou para aquele rosto. Plácido.

- Você enlouqueceu? Se eu pular, morro!
- Não, se você pular, voa. E você sabe disso.

As lágrimas automaticamente brotaram do rosto dela, que levou as mãos ao rosto para limpá-las. Quando fixou o olhar de novo ele não estava mais lá. Ouviu apenas a voz que repetia para que ela pulasse, que ela não pertencia ao isolamento do penhasco, aos dias de vazio...

Tirou as roupas, não precisava mais delas. Levantou os braços, sentindo o vendo rodeando seu corpo, suas asas antes presas e escondidas por dentro das roupas mundanas se abriram lentamente como se estivessem se reacostumando a serem livres... Será que funcionariam ainda?

Pulou.